O traçado dessa linha delimitadora da “Região das Torres” foi suportado pelas observações dos conceitos geomorfológicos e culturais locais desde o passado até o presente.
O resultado é que as Torres estão em suas posições desde que o homem se conhece como espécie e, mais recentemente, aquelas populações inseridas nesse contexto possuem identidades semelhantes. Os dados demonstram que em relação a esse ponto o rio Mampituba é entendido como “divisa-natural”, jamais separou as comunidades culturais do norte RS e extremo sul de SC, pois ambas têm características análogas, e que as duas se destacam sim – consideravelmente – dos “serranos” que possuem outros atributos.
Pode-se até reconhecer que essas “diferenças” entre aqueles que ocuparam as planícies costeiras e aqueles dos planaltos vêm desde os tempos imemoriais, representadas aqui por dois povos ameríndios, a saber: os “carijós” nas primeiras e os “guaianás/bugres” na segunda. Uma para encontrar a outra necessitava subir ou descer o terreno algo em torno de 700 metros.
Existe um longo caminho para se percorrer entre o litoral, a planície costeira, a encosta do planalto e o planalto propriamente dito.
As palavras “Região das Torres” foram publicadas pela primeira vez pelo Prof. Ruschel em 1988 – referindo-se a um evento acontecido por volta de 1825 – ao expressar um significado de identidade local inserido no contexto que deseja descrever. Aqui mantém-se os créditos, demarca-se o espaço e amplia-se o conceito. Resumindo: um olhar geográfico considerando-se as relações socioculturais e históricas, onde são encontrados todos os elementos que propiciam uma melhor compreensão dos eventos acontecidos no local.

Diderot Carlos Lopes é um Autor com especiais interesses tanto pela pesquisa da história da Região das Torres (RS/SC) – focada no período colonial – quanto pela preservação do patrimônio material e imaterial, histórico, natural e cultural local.


