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Editorial para a n.1 da Revista do CEHTR

Nesse ano de 2022 os associados do Centro de Estudos Históricos de Torres e Região – CEHTR se mobilizaram para concretizar a primeira publicação de nossa revista. Trata-se de um momento histórico em que uma entidade da sociedade se apresenta publicamente para a comunidade da Região das Torres, que contempla o nordeste do RS e o extremo sul de SC.
Nessa paisagem que abrange o litoral e a planície litorânea, estiveram na linha do tempo os povos pescadores que deixaram marcas nos sambaquis e, posteriormente, os colonizadores que se deslocaram da Amazônia para esse espaço, ou seja, os povos guaranis predominantemente. Esses últimos desapareceram desse local levados para atuarem como mão de obra escrava no centro e no norte do país, por serem duas regiões que tentavam prosperar. Na mesma orientação o assunto diz respeito também aos escravizados africanos, imigrantes forçados, que acompanharam os colonizadores da península ibérica. Eram responsáveis por prover a realização material de seus senhores, pertencentes a uma sociedade escravagista, exercida por agentes do estado, clérigos da igreja católica, militares, fazendeiros, senhoras administradoras domésticas, entre muitos outros representantes. Não permanecia ninguém, nem mesmo os negros escravizados ou libertos e seus descendentes. Não se pode esquecer pelo simbolismo, que os guaranis castelhanos vencidos pelas armas, foram deslocados de seus territórios originários e escravizados para prestar serviços forçados, inclusive na Região das Torres, aonde chegaram antes dos imigrantes germânicos, edificando junto com escravizados negros a 1ª capelinha católica – no espaço de que se fala – voltada para a lagoa das Torres.
Na linha da ocupação e do aumento da produção agrícola vieram imigrantes brancos europeus – continentais e insulares – supervalorizados pela sociedade em detrimento dos demais partícipes da construção do que somos hoje. Essa anulação histórica foi ultimada pelo desproporcional diálogo que os locais estabeleceram com esses imigrantes, principalmente o germânico.
O CEHTR com esta revista está abrindo espaço para que os associados possam contribuir com textos curtos, de suas escolhas pessoais, a serem publicados como se fossem uma fotografia de época que o grupo lega para a posteridade. Esta minha apresentação se insere resumidamente nesse contexto levantando temas possíveis de serem debatidos.
Fica a expectativa que os que vierem depois de nós, possam dar continuidade aos valores que nossa associação se propõe a defender, e que estão materializados no estatuto aprovado em 2021, e ainda, que a revista, agora inaugurada, possa prosperar contribuindo com a publicação periódica de estudos históricos – que estão na essência da instituição – em proveito da comunidade.

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